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9 de junho de 2019

Quem você seria se ainda pudesse escolher o que quisesse ser

Vem despertar

Há um tempo meus planos andam parados.
Tenho várias ideias, sonhos interessantes, vontades, desejos… mas está tudo parado.
Tudo dentro.
Há alguns dias tenho meditado por quinze minutos logo cedo, ao acordar, e durante a meditação visualizo uma grande tela branca diante de mim, pronta para começar a pintar.

Talvez eu nunca tenha lhe contado isso, mas eu amo arte.
Aos 12 anos escrevi um livro.
Amo obras de arte, pinturas, aquarela, amo bordado e todo e qualquer trabalho artesanal.
Dos 13 aos 18 anos eu bordava ponto cruz sem parar.
Produzi peças belíssimas, barras de lençóis, toalhas de mesa e banho, um capricho só.
Dos 18 aos 24 pintei óleo sobre tela.
Algumas casas possuem minhas obras penduradas nas paredes até hoje.
Bordar e pintar eram onde eu me encontrava e manifestava a beleza que existia do lado de dentro.
Justamente nos períodos mais conturbados da minha vida eu criei mais, como uma válvula de escape, um refúgio, algo que a dor não poderia tocar.

Hoje moro na Itália, em uma rua de uma cidade histórica, com vista para um lago que mais parece mar.
Debaixo do balcão da minha janela, em uma portinha pequena cheia de obras de arte penduradas do lado de fora vive um pintor italiano que vez por outra está sentado na frente da porta de casa tomando seu café.
Cada vez que cruzamos olhares ele me entrega um pouco de alma.
Ainda não me arrisquei a entrar na portinha de seu ateliê, mas me realizo sentindo o cheiro de tinta fresca do lado de fora.
Minha vizinha do quarto andar foi embora.
Ela também pintava.
As vezes eu ouvia uma música suave descendo pelas escadas e era ela, ao som de Mozart e Beethoven criando uma nova realidade.
Eu ouvia Beethoven quando morava sozinha no porão de uma casa, algum tempo antes de viajar.

Eu me encontro na arte.

Desde que mudei para a Itália tenho me dedicado a curar as memórias de quem eu era.
Mas talvez esse caminho esteja errado, talvez eu precise mesmo é resgatar aquela que eu era.

Tudo isso para falar com você sobre o poder da escrita.
Escrevendo esse post externalizei faces que andavam submersas.
Escrevendo esse post ativei possibilidades que antes meu cérebro não identificava.
Escrevendo essas linhas despertei memórias emocionais e sinapses que já estão criando uma nova realidade.

Quando eu tinha 12 anos se me perguntassem o que eu iria ser respondia:
escritora.

Talvez o caminho seja esse.
Não querer curar aquilo que não precisa de cura.
Mas simplesmente aceitar ser quem somos em nossa essência.

Talvez.

Quer se arriscar a fazer essa experiência?
Papel e caneta nas mãos agora.
Experimente escrever um diário de sua adolescência.

Escrever dá vida a novos sentimentos e manifesta chances de movimentar tudo aquilo que anda parado do lado de dentro.

Vamos tentar?

Eu estou aqui, quietinha, pensando, criando, lendo.
Em breve muita coisa vai desabrochar.
Posso sentir.

Quem você seria se ainda pudesse escolher o que quisesse ser?

Eu sou Andreza Frasseto e eu amo você.

A foto que dá mais vida e alegria à esse post foi encontrada sem autoria no Pinterest. Se você é ou conhece o coração que produziu tamanha delicadeza por favor entre em contato para ter seus créditos garantidos. Gratidão.